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Sem novidades

Um ano (mais de um?) sem grandes novidades. Passado um período árido como um deserto, sem ideias, sem futuro, sem nada, decido voltar a escrever sem saber o quê…
Dia após dia, estive como aquela loira da anedota, com os phones no ouvido: “Inspira, expira… inspira, expira…”.
Um ano se passou e pessoas especiais passaram nos meus dias. Novos trabalhos, novos desafios, antigos sonhos… A ver se consigo voltar com algumas ideias, a ver se recupero um pouco da escrita… Mais feliz? Não sei… Mais tranquila? Talvez…

Um mês sem novidades

Eu não disse que ainda ia quebrar a promessa de escrever sempre?
Simples… É ter milhões de coisas na cabeça.
Quando não é a família é a vida pessoal, e quado não é isso são os pesadelos. Sinceramente? Não lembro da última vez em que fui FELIZ (com letras maiúsculas).
Devo ter cuspido na cruz, usado a tábua dos 10 mandamentos para cortar carne ou o santo sudário como pano de chão.
Sempre quis ser uma pessoa correcta. Nunca tive grandes ambições – minto, tive uma : Estabilidade.
Sempre quis saber com o que podia ou não contar. Isso desde que casei e passei a ter que ser responsável. Porque, antes disso, não queria saber de nada que não fosse EU. Comprava o que queria e na hora em que queria, porque as minhas necessidades básicas seriam sempre supridas por papai e mamãe.
Agora, nos últimos anos, queria apenas uma coisa: estar sossegada no meu trabalho. Onde errei? Será que foi por buscar mais conhecimento? É que, pelos vistos, isso é errado, já que estou a viver a seguinte situação: quanto mais educação, menos oportunidades.
Tá bonito, tá….

O Haiti é aqui

Sempre que falam na Tv sobre a tragédia do Haiti lembro dessa música brasileira. Fiquei tristíssima com tudo o que se passou e, se tivesse dinheiro, tinha contribuído.
Mas…
Sinceramente?
Fico penalizada em parte. Sei que não se pode generalizar, e tal… Mas, quando vejo na TV imagens de gente a profanar os mortos em busca de dinheiro e jóias… Não consigo sentir pena. Sei que as ajudas humanitárias não estão a chegar direito, mas isso justifica?
E quando penso nisso e o fel me sobe à garganta, só quero pensar nas crianças e, principalmente, na imagem do Kiki…

Das perdas…

Dias muito tristes. Duas pessoas morreram – a irmã de um tio meu e o padrasto do meu marido – e este blog está de luto. Combina com o meu humor e com o próprio tempo.

Eu não disse???

Parece praga… Com tantos assuntos para escrever e nem uma linha neste blog. Eu não disse que ia acabar por ‘quebrar’ esta resolução de 2010? Ainda por cima, cheio de assuntos bons para escrever.
Uma das coisas que queria deixar bem clara é a minha satisfação pela aprovação do casamento entre homossexuais. C-A-S-A-M-E-N-T-O!!!!!!!! Porque isso de querer chamar de outra coisa não me entra na cabeça.
E o meu extremo nojo contra jovens como aquele que apareceu na TV a dizer que esse era o primeiro passo para o fim da raça humana. Se eu fosse a jornalista perguntava logo: “Por quê? Você vai desistir de ser heterossexual e só começar a dar o C.? Agora que está liberado você vai sair do armário?” Raio de gente escrota!
Só fiquei com pena de não aprovarem também a adopção. Porque eu prefiro milhões, trilhões, zilhões de vezes ver uma criança criada por um casal do mesmo sexo do que por pais pedófilos e mães agressoras. E já agora: alguém parou para pensar que gays, lésbicas, etc. foram criados por um pai homem e uma mãe mulher???

Ontem passou na RTP1 dois excelentes documentários: Um era sobre a Segunda Guerra e é assunto para outro dia. Hoje falo do outro, chamado “Galegos de Cá e de Lá”, de Júlia Fernandes, que abordou:
“(…) Vizinhos galegos e portugueses nunca se importaram muito com a situação…umas vezes pertenciam a um lado, outras mudavam de posição, mas, no fundo eram todos parentes, a História está aí para prová-lo.
Até que, há pouco mais de cento e quarenta anos, pelo “Tratado de Lisboa”, o estado português e o estado espanhol acordaram numa divisão fronteiriça mais científica, mais apoiada em mapas, a mesma que persiste até hoje(…).
Fiquei absolutamente encantada com o que vi, porque era tal e qual a aldeia da minha mãe; Cavenca, na freguesia de Riba de Mouro, concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo. As imagens mais antigas me fizeram recordar mentalmente coisas que a minha mãe contava. Melhor do que qualquer texto que eu pudesse escrever, há um, do meu tio tura, que é lindo, lindo, lindo…
Cá está:

Está Reminiscências – Meu Pai
A imagem que guardo de meu pai é a de um homem velho, quebrado e sábio.
Velho porque, nos seus sessenta e tal anos, foi aquela imagem austera, de rosto enrugado, sofrido e seco que captei com os meus pequeninos olhos e assim permaneceu ao longo dos anos.
Quebrado porque foi assim que ficaram as sua pernas desde que lhe caiu em cima um pesado carvalho, num monte distante, donde regressou a casa numa padiola, consolidando as fracturas, sabe-se lá quantas, na enxerga feita de linho tosco e cheia de palha de centeio, deixando-o dependente de duas bengalas para o ainda longo resto da sua longa vida.
Sábio porque era um regalo ouvi-lo falar de tudo, do mundo, da sua vida cheia de acontecimentos que só uma volta profunda aos arquivos da memória ainda descobre: das viagens migratórias, a pé, para o Douro; da travessia do Marão, antro de ladrões onde o perigo espreitava a cada curva do caminho; do dia de regresso a casa com um mau augúrio sempre presente e que se confirmou ao encontrar a mãe jazendo no leito da morte; do Mestre Escola que o ensinou a ler e escrever; do Padre Bernardino, um galego exilado que naquele lugar do fim do mundo encontrou guarida e deixou um perfume de cultura; da tropa; da guerra civil em Espanha; da fome; das senhas de racionamento; das fugas com os haveres para os bosques longínquos para se furtarem ao controle dos fiscais; da prisão por ousar procurar uma vida melhor em Espanha, ou lá onde quer que fosse; do proibitivo lume que fazia com uma pederneira improvisada para acender o magro cigarro que era mais papel que tabaco; das venturas e desventuras de uma vida cheia de tudo e de nada.
Tinha um lugar de destaque entre os anciãos do lugar e era consultado por causa da partilha das águas, das estremas das propriedades, dos caminhos e servidões, para ler uma carta ou escrever a um familiar algures em França ou no Brasil, para rezar um responso por causa de uma rês que se tresmalhara, para fazer um amuleto que tratava as “bichas” de um pálido bebé que definhava e não se alimentava, para informar as horas que o velho relógio de parede não se cansava de bater…
Era um homem honesto, simples e conformado com o que a vida lhe deu, tão conformado como Jó e, tal como Jó, nunca esmoreceu na fé e agradecia a Deus cada dia de vida, bom ou mau. O seu desprendimento das coisas materiais era total e o pouco que tinha dava sempre para partilhar. Jamais pedinte algum passou pela nossa casa sem que com ele dividisse um naco de pão ou uma simples e magra sopa.
Teve momentos difíceis, alguns de que ouvi falar, outros que constatei, e com ele vivi, e com ele sofri. O irmão, que adoeceu, diziam que enlouqueceu, e morreu ainda jovem preso num quarto, cuja recordação lhe era extremamente dolorosa e de que se recusava falar, o fatídico acidente que o atirou para o catre por muito tempo e marcou fisicamente para o resto da vida, mais uma vez acamou por vários anos. Muitas vezes se disse que estava “arrumado”, mas a sua fibra impediu-o de ceder e outras tantas vezes se levantou.
Só um estúpido enfarte de miocárdio o vergou, sem apelo nem agravo. Foi numa manhã de Outubro, já me esqueci do ano, bem no Outono da vida e da dita estação, tranquilamente, como quem se despede por um instante, que me deixou numa imensa tristeza, hoje uma terna e eterna saudade, porque ainda tínhamos muito que conversar…

Coimbra, 20 de Outubro 2001

Minha maravilhosa tia Judite

Quase uma directa

A contrastar com ontem, quando dormi demais, hoje quase fiz uma directa. Tudo para ver se consigo regular o sono que, com o raio da quadra festiva, ficou de pernas para o ar. A ver vamos.
Fiquei ultra-feliz com o comentário de Miss Lee. Rapariga adorável, mesmo como eu gosto…rsrsrsrsrs… É frontal e não leva desaforo para a casa; Gosta de estar confortável, como eu, e não liga a modas; É daquelas em que, ‘raspada’ a camada nortenha que assusta a mourama, é só delicadezas e amizade. Adoro essa rapariga. Pena é não estarmos mais perto. Beijo.
Ah, não sei se consigo cumprir a promessa de escrever todos os dias (ainda é só dia 04 e já estou a fazer previsões de fracasso…rsrsrsrsrs), mas vou tentar.
E só para que conste: Todas as fotos publicadas este ano são minhas.

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