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Archive for Fevereiro, 2008

Os caminhos

Nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer fazem parte do ciclo da vida. Por isso, quando se ‘quebra’ um elo dessa cadeia, há um desequilíbrio que afecta todos à volta. Nascer implica em reproduzir. Como a minha intenção não é reproduzir – ‘sorry, periferia’ – acabo por ficar com as outras. E, quanto mais a minha idade avança, mais perto fico da última: a morte.

A morte faz parte da natureza do ser humano, mas o que dizer quando ela acontece prematuramente? Esta semana morreu um rapaz da minha idade, meu conhecido. Como se o seu desaparecimento prematuro não fosse motivo suficiente, as circunstâncias em que ocorreu foram trágicas. Fui ao funeral, e o padre fez o seu discurso de sempre, muito discriminatório com os que não vivem na Igreja católica (eu achei), mas ainda falou algumas coisas que me deixaram a pensar.

Ele comparou a nossa vida a um jogo infantil, que muitas vezes vêm em revistas, onde você deve ultrapassar um labirinto onde há apenas uma entrada e uma saída. Nascer é a entrada, e morrer a saída. Essas são as certezas. O labirinto é a sua vida, aquilo que você faz dela, os caminhos que escolhe…

No meio de um funeral onde estava uma pessoa que, infelizmente, não me compreende e não consegue ver outra visão que não a dela, atacando-me por isso, essas palavras me fizeram pensar. Já iniciei a minha estrada há 36 anos. Nela tenho estado, a fazer escolhas certas e erradas. Quando chegar à saída, será que terei feito o caminho certo?

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Quotidiano

Não tenho nenhuma história interessante na minha vida para contar.
Quer dizer… às vezes, numa roda de pessoas consigo contar uns ‘causos’, mas é só dar uma espreitadela pelos blogs por aí que começo a viajar na maionese. Parece que todo mundo tem uma vida muito mais interessante, que eu não vivo… sobrevivo…
Um fim-de-semana passado em Lisboa parece já um super-mega acontecimento (e olha que são 130 quilómetros de distância), fazer compras no hipermercado é planeada ao minuto, ter um livro novo para ler é um acontecimento que deve ser comemorado com champagne.
Isso sem contar o desânimo, e porque não dizer, o desespero de todas as manhãs, quando penso que deveria me colocar linda e maravilhosa, e penso no dia de trabalho que vou ter, e acabo por sair esculhambada mesmo. Até porque, os oito quilos a mais não ajudam em nada. Já percebi que nem tudo o que vejo nos manequins é adequado para mim. Ou são roupas que só caem bem nas magrinhas (que já fui um dia), ou então é tão ruim de lavar e passar que eu desanimo.
Hoje saí de casa e deixei a máquina a lavar roupa. Se tenho medo que aconteça um incidente? Claro que tenho! Sempre me imagino a chegar em casa e encontrar tudo a boiar. Mas, chego tarde em casa, dormir com o barulho da máquina é insuportável, e para piorar, tenho mesmo que aproveitar os últimos dias de sol (a previsão é de chuva nos próximos dias). Ou eu aproveito agora, ou então vou ter que gramar com o ‘diacho’ do estendal na varanda, onde as roupas não ficam esticadas como eu gosto, não apanham sol, e terminam sempre por ficar um bocadinho húmidas.
Detesto o trabalho doméstico. Tento procrastinar ao máximo. Aí, de repente, dá um ataque de energia e cismo de fazer qualquer coisa até o fim. O meu marido fica a olhar para mim como se eu tivesse snifado alguma coisa (são ataques raros, diga-se de passagem), e até tenta ajudar. Mas, a energia é grande e, como não dá para conter tudo, é quando eu desato a agarrar jornais velhos espalhados pela casa enquanto grito aos sete ventos que ele nunca ajuda em nada.
Depois de tantos anos de casados, ele já sabe: vai à cozinha e, em cima do microondas, está a carteira de anticoncepcional; “Ah, já só faltam três comprimidos… as hormonas são fogo, né, meu amor?!”
Ah… maldita TPM…

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Fim-de-semana

Foi um fim-de-semana fantástico…

Como alegria de campónio é ir à cidade grande, eu e o meu amor fomos a Lisboa.

Estávamos mesmo a precisar respirar outros ares. Nem lembrava mais a última vez em que estávamos juntos um fim-de-semana inteiro. Como no meu aniversário só comemoramos no dia seguinte com um almoço, ele resolveu que sábado e domingo deviam ser especiais. E foram…

A caminho de Lisboa paramos no Campera, que é um Outlet situado no Carregado. O meu amor ficou no carro a descansar e deixou-me livre para ver tudo o que quisesse. E eu fui. Depois de escolher algumas lojas, fui buscá-lo para que ele desse o ‘ok’. Não que eu não tenha opinião própria, mas ele queria uma roupa especial, para uma ocasião especial, por isso, achei que ele tinha que participar no processo. Ele comprou-me dois vestidos e vários collant’s (meias calças). Já no carro, ele disse que como os collant’s eram muito baratos (nem deformam ou soltam as tiras…rsrsrsrsrs), devíamos ter comprado mais. Decidimos que, na volta, dávamos uma nova paradinha lá.

Voltamos para a auto-estrada e ele quis ir ao ‘El Corte Inglés’. Ele disse que era para comprar outro vestido para mim, mas eu acho que ele estava mesmo a fim era de parar na pastelaria de lá, que ele considera fabulosa. Não deu outra. Lá fomos e os doces são realmente de chorar por mais.

Quando entramos no sector feminino, demos de caras com a lingerie. Dito e feito. Ele queria um conjunto especial. Ele escolheu… nunca tive um conjunto tão caro em toda a minha vida. Realmente lindo, mas… fiquei a pensar em quantos comprava com aquele preço. Ele disse para eu não pensar nisso. Que valia a pena ver como ficava em mim.

Não gostei de nenhum vestido lá. Fazer comprar em saldos tem dessas coisas. Já estava tudo muito escolhido.

Fomos para o hotel e… ulalá… que cama era aquela? Era tipo Big, big, big king Size. Uma coisa de doidos. Nunca tinha visto mesmo uma cama daquele tamanho. Fiquei cheia de vontade de ter uma como aquela. O chuveiro também. Adoro aqueles duches que até ‘picam’ a pele. Parece que fazem uma massagem nas costas, na cabeça… hummmm…

Descansamos um bocadinho e, à noite, fomos num restaurante que (não sabíamos) era Minhoto. Tomamos um tinto fantástico de Monção e o garçom era de Barbeita. Muito divertido, principalmente depois de duas garrafas de vinho. O meu amorzinho chegou no hotel num estado miserável. Ria sozinho… ainda bem que estávamos a pé. O meu problema foi o depois. Acordei à meia-noite, numa ressaca… e a TV a cabo não ajudava. É aquela tal coisa… pobre quando vê mel se lambuza. Nós não temos TV a cabo e eu fiquei com o controlo paralisado na mão. Nem sabia mais o que assistir, se filmes, se documentários, se séries… Fiquei assim até as 03 horas… Depois esforcei-me para dormir.

É claro que acordamos um bocadinho tarde, às 10 horas. Sem problema. Fechamos a conta e fomos à Versailles tomar o pequeno-almoço. De lá fomos ao Colombo. Ele continuava a querer comprar-me outro vestido e sapatos. Mas… sinceramente? Eu estava de saco cheio de tanto movimento, os meus pés doíam (estava com umas botas que não ajudavam nada), e acho que tinha sido dinheiro a mais. O meu amor também estava cansado e, da forma como as coisas estão, eu prefiro abdicar de qualquer coisa em prol da saúde dele.

Ainda paramos no Campera e comprei mais 10 collant’s. Chegamos no nosso lar-reduto-doce-bagunçado-lar e dormimos. E assim acabou um fim-de-semana diferente.

Foi comum? Vulgar? Sem grandes emoções?

Depende do ponto de vista. Actualmente qualquer saída é para ser festejada. Principalmente quando tudo corre bem.

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Que pena…

Sempre pensei que o país onde nasci fosse o país da fofoca. Lembro de, em criança, as famílias colocarem cadeiras de praia na frente das casas, nos finais das tardes de verão, para apanhar uma ‘brisa fresquinha’. Era a ocasião ideal para as crianças brincarem, enquanto os homens as mulheres fofocavam.
Havia quem não tivesse cadeira, ou que achasse que o vento fazia mal, então era comum ver algumas pessoas à janela. O importante mesmo era exercitar… a língua!
Outra idade, outro país… e lá está o desporto predilecto do ser humano: falar… principalmente mal dos outros. E não há santo que me tire da linha de arremesso. Se num país, o facto de ser filha de um homem de destaque na comunidade atraía as atenções (e por isso tinha que tentar ter um comportamento mais que exemplar), no outro é a diferença que arrasta, quase instintivamente, o reparo das outras pessoas.
Num país era a filha do estrangeiro. No outro, sou a própria estrangeira. Criticada por ser quem sou, dos dois lados do mundo. Se falo pouco, sou antipática; se falo muito, sou alvo de censuras.
Até agora estou para perceber o que aconteceu nos últimos dias.
Por exemplo, o que é mais difícil: largar uma vida de 26 anos ou um cargo? Eu deixei quase tudo para trás. Minhas memórias, inclusivamente. Por isso, não entendo porque uma pessoa não pode deixar uma posição e atirar-se, de cabeça mesmo, numa nova fase da vida.
Diz que está feliz, que não tem saudades. Mas, sempre quis saber o que se passava, dar um palpite, mandar uma alfinetada… De que vale isso? Traz felicidade? Não acho.
Disse, há tempos, que determinadas coisas não se faz com outra pessoa no dia dos seus anos. Cuspiu para o alto e caiu-lhe na cara. Fez exactamente isso.
Shakespeare escreveu que os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento… Que uma pessoa é enorme quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri. E que é pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor.
Que pena…

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Hello world!

Nova casa, novos temas, quem sabe, uma nova vida.

Muita coisa mudou nas últimas semanas, principalmente a nível profissional. Como várias pessoas disseram (alguns como se fosse um crime muito grave!) que a minha vida é um livro aberto, decidi trocar de livraria.

Realmente a vida é feita de escolhas. E as minhas, sou eu quem faço.

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